domingo, 1 de abril de 2012

Engano

De todos os enganos acredito naqueles que me geram.
Enganos se desfazem com sopro de coragem, verso de flor e canto de mãe.
Assim, evapora da pele sem dor.

Porque as águas contam o tempo;
E no suor desaguado do corpo,
vai o desencanto em sal.

Porque as águas contam o tempo;
E nas lágrimas desaguadas do corpo,
vai o desencanto em sal.

Salgo inteiro o corpo e evapora da pele sem dor, meu canto.
Somos mar, sejamos!

Marina Trindade

domingo, 25 de março de 2012

À flor da carne


O verso virando a carne em lambidas de vento
um sopro
nos sete buracos do corpo...

                                                                 perfume!


M. Trindade


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Perto de muita água

Entre espelhos azuis 
transparentes como os olhos de minha mãe
Entre espelhos
refletidos de luz de vento de força
Entre espelhos
a reflexão se faz com a expiração da pele
que nos peitos fartos e no coração aberto
desfaz a maldade
salga
e cura...


Odò Iyá!


                      Marina Trindade

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Quem robou? Quem?

A luz dos olhos de minha menina.





Marina Trindade

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Boa noite?

Acostumado a lapidação minuciosa dos dedos calejados que já não contam mais histórias com seus gestos inquietos e imprecisos criando silhuetas no ar de forma voraz, mas que agora não querem saber de preciosidades, se tornou órfão daquele que indicava suas vontades...

e a noite ainda vem com cala-frios.

Marina Trindade

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

SILÊNCIO

Lembrar teu sorriso me nina o sono
estremece e acalenta
te sinto sem sentido
não importa meu querer
que evapora de minha pele

                            
sabes e ignoras
és minha paixão
ardor e temor
me cala com um olhar
e meu silêncio fala o que as palavras emudecem.

Marina Trindade

12/10/2009

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

De-s-me-do-r




Desordem:

Aqui sei dos descaminhos dessas mãos que trazem a fadiga de muitos cantares que em meio a este mar mergulha em inebriações de palavras que já não falam para que o silêncio o faça talvez bem melhor ou não pois aqui me calo porque sei desse mar profundo de sentires que banham vontades de transpor-se no outro que irá ver seu reflexo liquifeito em águas de sal mas há um perigo que pousa nessa onda que encanta teu olhar não te falo mas à mim também é desconhecido isso tudo parece incoerente diante dos fatos mas acredito que o medo faz parte do vetor que dá coragem por isso me cubro de olhares e aqui me deleito outra vez afinal de que vale esse mergulho sem a sensação de afogamento de sufoco de quase morte e denovo a entrega é que vale e que assim seja aqui nesses descaminhos me afogo em tantas outras ideações isso tudo me soa confuso meio embaralhado mais é que as cartas nunca voltam a ordem certa depois que o jogo começa.


Marina Trindade