domingo, 8 de janeiro de 2017

qu ando abismo

Eu, quando abismo, deitei meu sono sobre os ombros largos da loucura... claridade infida que cegou.virei do avesso e no escuro acalento de meus dias sós, me debrucei sobre os fantasmas que ocupam a mim. Eu vi passado dizer presente, agora o que fazer, que foi?! Trêmulas as mãos sobre o peito cantavam uma reza-abraço. Era chuva de pássaro, era jardim, era silêncio, era gira... afago, som de vento na fresta da janela. Eu, quando abismo, deixei cair o ponteiro do relógio.
Vinícius de Moraes na voz de Maria Bethania.
POÉTICA
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.



Foto: Débora Flor

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